Cícero Bley Jr aborda potencial inexplorado do biogás no Brasil

Em entrevista cedida para a revista Biomassa & Bioenergia, o Superintendente de Energias Renováveis de Itaipu Binacional, Cícero Bley Jr, comenta os ganhos energéticos, econômicos e ambientais de uma fonte de energia sustentável.

Biomassa & Bioenergia – Muito se fala sobre as inúmeras possibilidades de aplicações do biogás para geração de energia . Na opinião do senhor, quais as potencialidades do uso do biogás no Brasil?
Cícero Bley Jr. – O biogás está contido nos resíduos sólidos e efluentes líquidos encontrados no meio urbano (lixos e esgotos) no meio industrial (resíduos e efluentes) e no meio agropecuário (resíduos e dejetos animais). Portanto trata-se de um produto com características energéticas renováveis, que vem sendo sistematicamente desperdiçado e que, ao ser incorporado na matriz energética de atividades agropecuárias e agroindustriais, coletas e tratamento de lixos urbanos e esgotos, por exemplo, pode significar grande economia de energias que hoje estão sendo fornecidas por este setor. Isto representa milhões de reais em custos evitáveis.

B&B – Em sua opinião, por que é importante para o Brasil investir na geração de energia advinda do biogás?
Bley Jr. – Para criar uma nova economia rural, baseada na eficiência energética e em energias renováveis, que podem significar a sustentabilidade econômica porque gera novas rendas e a sustentabilidade ambiental, porque o biogás só é produzido em sistemas de saneamento (tratamento) dos materiais orgânicos.

B&B – O biogás pode ser usado para a geração de energia elétrica, térmica e veicular.
Pelas características de nosso País, em qual dessas áreas ele pode ser melhor utilizado?
Bley Jr. – Nas três. Porque há biomassa de resíduos para produzir biogás suficiente para sustentá-las e porque as três são importantes. A geração de energia elétrica oficializa as pequenas centrais como geradoras em um sistema descentralizado novo no Brasil, mas que é a chave das renováveis na Europa (geração distribuída). A geração de energia térmica, porque pode substituir o uso da lenha no agronegócio, que vive, há tempos, um “apagão” florestal. Não há lenha para secar nossas safras de grãos. E a geração de energia para veículos, caminhões, tratores e carros, dá uma esperança aos produtores rurais de verem seus veículos movidos a diesel rodando com o biogás gerados por eles mesmos. No meio urbano, imagina-se o biogás sendo produzido em aterros e depois de filtrados, movendo os caminhões de coleta de lixo, que todos os dias passam de porta a porta coletando em uma jornada sem fim, pois há lixo todos os dias para coletar.

B&B – Acredita que o biogás possa vir a substituir outros combustíveis em totalidade no futuro? Qual o percentual de utilização atualmente?
Bley Jr. – Atualmente é zero. O biogás é totalmente desperdiçado. E no futuro com certeza as energias ditas convencionais, manterão suas performances. O biogás as substituirá em partes, mas onde substituir haverá ganhos não só energéticos, mas também econômicos e ambientais. O biogás será sempre um dos combustíveis de uma matriz energética. O problema é que hoje ele está sendo jogado fora.

B&B – O que é preciso ser feito para ampliar a utilização desse tipo de geração de energia no País?
Bley Jr. – É preciso que as pesquisas feitas pelas diversas academias brasileiras soltem as soluções e aplicações tecnicamente sustentáveis com o biogás. É preciso que nossas lideranças consigam enxergar o biogás como um produto combustível de alto valor estratégico. É preciso capacitar nossos técnicos para identificar as biomassas possíveis, saber como convertê-las em biogás, como gerar energia com o biogás e o que fazer com essa energia. Não há possibilidades de mudanças a não ser pelo ensino e capacitação.

B&B – Os equipamentos disponíveis no mercado nacional são eficientes para o aproveitamento do biogás gerado pela criação animal? A tecnologia brasileira consegue atender as necessidades desse mercado?
Bley Jr. – O Brasil já produz o necessário em termos de equipamentos e processos para explorar as possibilidades do biogás.

B&B – Há no Brasil, algum tipo de incentivo (fiscal, tributário, financiamentos) para a adoção do uso de biogás para a geração de energia?
Bley Jr. – Há linhas de financiamento compatíveis para investimentos. Não há necessidade de subsídios, ao contrário. Devemos evitá-los porque distorcem a sustentabilidade econômica de qualquer atividade.

B&B – Qual a média de compra de energia do biogás produzida pelos produtores rurais pelas grandes empresas?
Bley Jr. – A ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica estipula em suas normatizações, que o preço pago a energia elétrica gerada com biogás seja o VR – Valor de Referência, em torno de R$ 145 por megawatt e que é o valor tirado da média aritmética obtida dos valores de todas as energias geradas no Pais. Hidráulica, carvão, gás, etc.

B&B – A Itaipu possui algumas unidades de demonstração de geração distribuída de energia elétrica com biogás. O senhor poderia falar um pouco sobre essa experiência?
Bley Jr. – A Itaipu implantou com recursos de Pesquisa e Desenvolvimento em sete unidades de demonstração em diferentes escalas de produção, para servir de base para estudos e demonstração. A isso demos o nome de Plataforma Itaipu de Energias Renováveis.
Temos unidades coletivas, como no Condomínio Ajuricaba de agricultura familiar até um frigorífico de abate de 300 mil aves por dia, da Cooperativa Lar de Medianeira. Todos gerando energia e vendendo os excedentes para a concessionária. Agora estamos instalando mais duas unidades para demonstrar o uso térmico, substituindo a lenha utilizada em dois dos maiores armazéns de beneficiamento e armazenagem de grãos da região. Também começamos a implantar o projeto em Entre Rios do Oeste para a sustentabilidade do saneamento básico através da energia do biogás.

B&B – Baseado na experiência da Itaipu que perspectivas o senhor vê para esse tipo de negócio (geração de energia através do biogás) no Brasil?
Bley Jr. – Não tardará nem um ano e o biogás estar é sendo reconhecido no Brasil, como um produto combustível de alto valor estratégico, produzido e usado por micro geradores, descentralizados e tão importante como o etanol.

via Biomassa e Bioenergia

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Uso de resíduos é aposta para geração de energia na Alemanha

por Eduardo Carvalho

Importantes centros de pesquisas da Alemanha perseguem a meta de desenvolver formas de gerar energia elétrica a partir de mecanismos limpos capazes de substituir a potência energética de complexos atômicos, que serão desligados pelo governo alemão até 2022.
A intenção é aumentar a potência instalada de 56,5 GW dos meios renováveis para 163,3 GW até 2050, segundo estimativa feita pelo Ministério do Meio Ambiente do país.
Ainda sem um valor total de investimentos, há planos de implantar novas turbinas eólicas no mar e na terra, expandir o uso de hidrelétricas, elevar a participação da geração de energia solar e iniciar uso da tecnologia geotérmica (nascentes de água quente, como os gêiseres, ou mesmo utilizando o calor do interior da crosta terrestre).
Além disso, cientistas tentam aperfeiçoar tecnologias para geração de energia por biomassa ou biogás que empregam estrume de animais, restos de alimentos ou materiais desperdiçados na atividade madeireira para aquecer e iluminar moradias.

Alternativa
De acordo com Ursula Eicker, da Universidade de Ciências Aplicadas de Stuttgart, em Baden-Württemberg, o emprego da geração de energia de biomassa é um dos que mais vai crescer entre a população, principalmente pelo seu custo mais baixo.
Enquanto se gasta 10 mil euros para instalar placas de captação de luz solar para aquecimento de água e do ambiente interno da residência, uma miniusina de biomassa movida a pellets (pequenos pedaços de madeira) custaria 7 mil euros.
“Além de ser mais barata, a vantagem é que o consumo de energia elétrica por biomassa pode ocorrer todos os dias, diferentemente da solar, que é prejudicada em dias nublados”, disse a especialista.
Os pellets, extraídos de pinheiros plantados para esta finalidade, já são substituídos em áreas agrícolas por estrume de animais, gramíneas ou gordura de abatedouros, que viram combustíveis sólidos na geração de luz elétrica e calefação.

via Globo Natureza

Oferta de energia no Brasil vai crescer 62% em 10 anos

via Agrolink

A oferta de energia interna no Brasil vai crescer dos atuais 271 milhões de tep (tonelada equivalente de petróleo) para 440 milhões de tep entre 2010 e 2020, uma elevação de 62%. No período, a participação das energias renováveis na matriz energética brasileira sobe de 45,5% para 51,7%, principalmente pelo aumento da contratação de energia eólica, gás e biomassa. Este foi o panorama apresentado pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, durante abertura da Rio Pipeline 2011, que acontece até o dia 22 de setembro.

A transformação da matriz ocorre porque o governo quer reduzir a contratação de energia de térmicas a óleo combustível e estimular a oferta em leilão de energias alternativas, como eólica, cujo potencial é hoje de 143 mil MW, o que representa a capacidade de dez usinas de Itaipu. Segundo Tolmasquim, este potencial poderá dobrar nos próximos anos. O projeto brasileiro é crescer ainda seu potencial hidrelétrico, já que só utiliza um terço.

O presidente da EPE apresentou um cenário otimista em relação à previsão de crescimento de oferta de energia para sustentar o desenvolvimento brasileiro. Ele prevê que o país crescerá a uma taxa de 5% ao ano, enquanto a oferta de energia será de 5,3%. Além disso, Tolmasquim também mostrou que, dos 61 mil MW previstos para a década, 46 mil MW já foram contratados. “Isso dá uma tranquilidade muito grande para o Brasil crescer 5% ao ano”, afirmou.

O Brasil também possui uma participação relativamente pequena em uso de petróleo e gás, com 48% da matriz, em relação aos 54% mundiais. No mundo, a participação do carvão é grande, com 41% para a geração de energia elétrica, enquanto aqui é de apenas 6%. Quase 90% da geração de energia elétrica no Brasil é proveniente de fontes renováveis.

Biomassa emite menos CO2

via Terra da Gente

Um novo estudo de cientistas do Instituto para Pesquisa sobre o Impacto Climático de Potsdam (PIK), publicado no periódico Environmental Research Letters, apontou que a energia de biomassa é fundamental para a diminuição das emissões de dióxido de carbono e, conseqüentemente, a mitigação das mudanças climáticas. Além disso, a quantidade de bioenergia, competindo com outras formas de energia, é rentável.

Os biocombustíveis liberam menos carbono que as alternativas fósseis. Ainda assim é preciso preservar florestas e recursos hídricos, além de investir no crescimento da produtividade da agricultura, já que os biocombustíveis são acusados de causarem o desmatamento de florestas e elevarem o preço dos alimentos. Dessa forma, o efeito não será o contrário e os preços dos alimentos não aumentarão em razão da substituição de plantações destinadas à alimentação por safras reservadas para a produção de combustível. “O uso de biomassa pode levar a emissões adicionais de gases do efeito estufa. Isso acontecerá se as florestas forem cortadas para serem plantadas colheitas no lugar”, afirma um dos autores do relatório, Alexander Popp.

Para que 20% da energia mundial fosse gerada a partir da biomassa sem que houvesse danos para as florestas mundiais, seria necessário que a produtividade alimentícia aumentasse cerca de 1% ao ano até 2095. Para os cientistas, avanços são possíveis, mas, como isso, o preço da bioenergia aumentaria. “As taxas de crescimento da produção diminuíram na última década, mas o crescimento potencial da produção ainda é considerável”, afirma o relatório.

Para os pesquisadores do PIK, é preciso equilibrar a geração de bioenergia com a conservação ambiental e a produção de alimentos. Isso se dará a partir da criação de políticas que associem esses processos. “Políticas integradas para a produção de energia, uso da terra e gestão de água são, portanto, necessárias”, declararam os cientistas.

Além disso, também é necessário o desenvolvimento tecnológico. “Sem a biomassa e a captura e o armazenamento de carbono, a proteção climática pode ficar muito cara, como muitos estudos mostram. Mas esse tipo de energia também tem um preço. As políticas, portanto, não devem apenas visar a bioenergia, mas também integrar questões de mudanças no uso da terra e segurança alimentar global”, concluiu Ottmar Edenhofer, co-autor do relatório e economista do PIK.

Brasil tem muito para crescer na produção de Biomassa

via Portal do Agronegócio

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa, Celso Oliveira, atribui esse sub aproveitamento à falta de informação dos produtores e à falta de incentivo por parte do governo. “O Brasil está descobrindo agora esse setor, por isso a produção ainda é tímida. A partir do momento que os empresários descobrirem as vantagens do uso da biomassa haverá crescimento”, afirma.

A Biomassa pode ser feita a partir de resíduos agrícolas, industriais e florestais. No Brasil o bagaço, palha e colmo da cana-de-açúcar são os resíduos agrícolas mais difundidos, com mais de 324 mil toneladas produzidas por ano, seguida dos resíduos da soja, com mais de 95 mil toneladas. Esses detritos agrícolas e também os florestais como serragem, casca e descarte de toras podem ser utilizados na confecção de bio-woodpellets, que é um combustível sólido eficiente para a geração de energia térmica e aquecimento industrial. Além de limpo, esse recurso tem rentabilidade tripla com a comercialização, geração de energia elétrica e créditos de carbono.