Cortar fuligem minimiza aquecimento

por Claudio Angelo

reportagem publicada na Folha dia 17/12/11

via IHU

Enquanto os governos procrastinam até 2020 para começar a resolver a crise do clima, um grupo de pesquisadores apontou uma maneira de retardá-la. Eles afirmam que medidas simples podem abaixar a temperatura global em 0,5°C até 2050. As ações atacam emissões de fuligem (carbono negro) e de metano, que ficam pouco tempo no ar, mas ajudam a esquentar o planeta. Essas substâncias são conhecidas conjuntamente como forçadores climáticos de vida curta, ou SLCFs, na sigla em inglês. O combate a elas tem a vantagem de não depender de acordos internacionais complicados e de não enfrentar lobbies poderosos. Além disso, tem dois efeitos colaterais desejáveis: salva vidas em países pobres e beneficia a agricultura. Isso porque a fuligem, produzida em fogões a lenha na África e por ônibus e caminhões na Ásia, é uma causa importante de mortes por complicações respiratórias.

O metano, por sua vez, é um dos precursores do ozônio troposférico, um poluente que é tóxico para humanos – mas também para plantas. Um relatório lançado com pouco alarde pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), durante a conferência do clima de Durban, identificou um pacote de 16 ações para combater esses poluentes. Se implementadas até 2030, elas poderiam evitar, por ano, 2,4 milhões de mortes e perdas agrícolas de 32 milhões de toneladas. Além disso, poderiam ajudar a atrasar por algumas décadas a elevação da temperatura global de 2,5°C a 4°C neste século -resultado que a conferência de Durban não fez nada para evitar. “Os SLCFs não são parte da negociação, mas eles são relevantes, porque nos ajudam a recuperar parte do tempo perdido”, disse o diretor-executivo do Pnuma, o alemão Achim Steiner.

PLATAFORMA

A Plataforma de Durban, principal resultado político da conferência do clima, propõe que um acordo global contra o CO2 entre em vigor em 2020. Nessa data, porém, a ciência diz que as emissões deveriam estar chegando ao pico para que haja alguma chance de ficar nos 2°C. E, segundo os climatologistas, o aumento de 2ºC é o máximo que o planeta suporta antes que a mudança climática alcance níveis considerados perigosos.

O novo estudo do Pnuma aponta que as medidas de combate aos SLCFs podem ser adotadas por legislações domésticas; muitas delas já existem, como as normas europeias de emissão de particulados por veículos. Outras são ações simples, mas com um impacto grande. Trocar os fogões a lenha ou a carvão na zona rural da África e Ásia por fogões a gás, álcool ou biomassa de queima limpa – coisa que já vem sendo feita em maior ou menor escala por diversos programas- pouparia em 2030 a emissão de 1,8 milhão de toneladas de fuligem/ano.

É a ação isolada dentre as 16 listadas que mais ajudaria a salvar vidas e a reduzir a temperatura do planeta, já que a fuligem deixa a atmosfera mais escura e aumenta a absorção de calor. Segundo Joe Alcamo, coordenador do relatório, metade das ações listadas tem custo zero ou produz ganho líquido (ao aumentar a eficiência da economia). “Acreditamos que com essas propostas podemos estar abrindo a melhor esperança de ficar abaixo do cenário de 2°C em 2020”, disse Steiner.

IHU entrevista Luciano Basto Oliveira, que comenta os desafios da alternativa energética

A produção de biomassa no Brasil ainda está concentrada nos resíduos da cana-de-açúcar, e os investimentos para gerar energia a partir dos resíduos de milho e soja ainda são baixos. O pouco interesse, de acordo com Luciano Basto Oliveira, justifica-se pelo alto custo para retirar os resíduos de milho e soja das áreas de plantio.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Luciano Basto Oliveira também comenta a proposta de incineração do lixo, prevista no Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. Apesar de esta ser uma das tecnologias mais utilizadas no mundo, assegura, a queima de plásticos e borrachas gera gases de efeito estufa. “A solução para os resíduos sólidos urbanos brasileiros requer a implantação e funcionamento do sistema de gestão integrada. Neste, a segregação dos materiais recicláveis na fonte conviverá com um equipamento de triagem (caso o engajamento popular seja pequeno, para melhorar o rendimento), sendo associados à instalação de biodigestores e a sistemas de incineração – cujas dimensões decorrerão da eficiência de cada etapa anterior –, contando com aterros sanitários para o material inerte, os rejeitos e os casos fortuitos, como prevê a PNRS”, aponta.

Luciano Basto Oliveira é graduado em Ciências com habilitação em Matemática pela Universidade Estácio de Sá, especialista em Análise Ambiental e Gestão do Território pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas – Ence/IBGE, e mestre e doutor em Planejamento Energético pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia – Coppe/UFRJ. Atualmente é pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra/Coppe/UFRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor menciona que os resíduos vegetais têm potencial de gerar um terço de toda a energia consumida no país. O que tem dificultado o investimento em biomassa no Brasil?

Luciano Basto Oliveira – O país é muito rico em fontes energéticas, o que remete a algumas poderem, pela natural limitação do consumo, acabar sendo inviáveis para o mercado interno. Mas também existem casos em que fontes mais baratas são desperdiçadas por conta de seu caráter inovador naquele mercado, o que, até certo ponto, é compreensível.

IHU – Como estão os investimentos em biomassa no Brasil?

Luciano Basto Oliveira – Vêm evoluindo, mas ainda estão concentrados na cana-de-açúcar e seus derivados – que são excelentes representantes do setor; ajudaram a demonstrar a viabilidade desta alternativa e a competência técnica e empresarial no setor. Mas é necessário diversificar para aproveitar o potencial existente.

IHU – Por que a geração de energia, a partir dos resíduos de milho e soja, são mais caros se comparados ao uso do bagaço da cana-de-açúcar?

Luciano Basto Oliveira – Porque o bagaço é um resíduo agroindustrial, cujo transporte é pago pelos produtos principais da cana-de-açúcar: açúcar e etanol, enquanto os resíduos de soja e milho atualmente ficam no campo, o que remete a um custo para coletá-lo. Assim, utilizando a mesma tecnologia para geração elétrica (ciclo Rankine), o bagaço disponibilizará eletricidade mais barata. Além disto, parte da energia disponível na forma de calor não é convertida em eletricidade e, no caso do bagaço, há o aproveitamento deste para fazer a usina de cana funcionar (cogeração), mercado complementar que inexiste nos demais casos. Considerando que o preço solicitado pelas usinas ao bagaço nos leilões não seja especulativo – uma vez que seu interesse é obter a garantia de receita, o que pode ser comprometido com o aumento artificial do preço e a competição com outras fontes -, o fato de parte da oferta não ter sido vendida significa que as alternativas mais caras, provenientes dos demais resíduos, também não conseguirão.

IHU – Qual tem sido o papel das fontes alternativas de energia no Brasil?

Luciano Basto Oliveira – O conceito de “alternativa” depende da localização e da tecnologia. No Brasil, a maior parte da eletricidade provém de fontes renováveis e, assim, já não é alternativa. O próprio etanol, tão conhecido aqui, é uma alternativa no exterior. Parece-me mais adequado falar de fontes renováveis não convencionais e discutirmos como aproveitar nossas potencialidades, mesmo que o mercado interno tenha alternativas mais baratas e o caminho seja a exportação. É importante ressaltar que existe um mercado internacional de biomassa para fins energéticos, do qual o Brasil, com uma das maiores aptidões para esse setor, não participa de maneira significativa.

IHU – Qual o potencial do Brasil em investir em biomassa?

Luciano Basto Oliveira – Apesar do significativo potencial, o conveniente é, a meu ver, identificar como aproveitar as dezenas de milhões de toneladas anuais que acabam sendo decompostas sem aproveitamento: a utilização local, para geração elétrica ou combustível veicular (biogás tratado ou produção de etanol de segunda geração), ou para exportação (briquetes ou pellets).

IHU – Em que países o uso da biomassa para geração de energia é mais desenvolvido? Quais são os países que dominam, hoje, essa tecnologia?

Luciano Basto Oliveira – O Brasil é um dos principais, para geração elétrica e uso veicular. Mas o consumo de biomassa é expressivo para aquecimento no hemisfério Norte.

IHU – Qual o potencial energético do uso de dejetos de aves, suínos e bovinos? Há no Brasil investimento nessa área?

Luciano Basto Oliveira – Considerando somente os rebanhos confinados, o potencial atinge 17,5 Mm³ de metano/dia – aproximadamente a metade do que importamos da Bolívia. Esse gás pode ser convertido em eletricidade, abastecer veículos, indústrias, residências, como o gás natural – desde que tratado. Adicionando o potencial dos resíduos agrícolas e dos urbanos, todos convertidos em gás, o potencial atinge 50 Mm³/d, em média, uma vez que esta oferta é sazonal. Sim, há alguns empreendimentos em funcionamento e outros sendo implantados. É importantíssimo lembrar que o descarte inadequado causa muitos danos ambientais e à saúde pública. Por outro lado, o sistema de tratamento é caro. Então, o aproveitamento energético atrelado ao tratamento ambiental transfere o custo para o combustível, que consegue competir com outras fontes.

IHU – É possível gerar energia a partir do aproveitamento do lixo? Qual é o potencial de aproveitamento energético dos resíduos sólidos urbanos?

Luciano Basto Oliveira – Sim, é possível. Há diversas rotas tecnológicas em funcionamento no mundo, desde a queima do biogás recuperado de aterros até o arco de plasma, passando pelo gás de biodigestores e a incineração. É preciso ressaltar que a reciclagem é uma medida de conservação de energia, pois economiza o consumo industrial da conversão dos recursos naturais em bens – ou seja, mesmo não gerando diretamente, permite que a oferta seja ampliada de maneira maior que se o lixo fosse utilizado para geração. O potencial atual, considerando a reciclagem máxima associada à biodigestão da fração orgânica, atinge 60 TWh/a, equivalente a 15% do consumo nacional ou 65% do setor residencial.

IHU – Entre as propostas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, discute-se a incineração do lixo. Como o senhor vê essa alternativa? Há implicações ambientais nesse processo?

Luciano Basto Oliveira – É uma das tecnologias mais utilizadas no mundo, dispondo de 650 usinas termelétricas, inclusive novas, funcionando no centro das cidades de Londres e Paris, por exemplo. Do ponto de vista técnico, aplica-se quando a participação de plástico e papel seco supera 30% do resíduo – o que é comum nos países mais ricos, onde a maioria dos alimentos é comprada em embalagens. Sua eficiência quanto à geração líquida (produzido menos consumido) local é a melhor dentre as alternativas. Mas, por queimar plásticos e borrachas, seu balanço de gases balanço de gases responsáveis pelo efeito estufa não é o melhor. Além disso, emite poluentes orgânicos persistentes – ainda que em teores controlados e em quantidades inferiores a diversas outras fontes emissoras, como usinas a carvão, veículos a diesel, combustão de lixo a céu aberto, queimadas, etc.

Minha visão é de que a solução para os resíduos sólidos urbanos brasileiros requer a implantação e funcionamento do sistema de gestão integrada. Neste, a segregação dos materiais recicláveis na fonte conviverá com um equipamento de triagem (caso o engajamento popular seja pequeno, para melhorar o rendimento), sendo associados à instalação de biodigestores e a sistemas de incineração – cujas dimensões decorrerão da eficiência de cada etapa anterior -, contando com aterros sanitários para o material inerte, os rejeitos e os casos fortuitos, como prevê a PNRS. Esse tipo de aproveitamento requer tecnologia disponível no país e é capaz de gerar oportunidades de trabalho aqui, além de contribuir para a mitigação de emissões – mesmo que a biomassa seja exportada.

Mais um passo para a eliminação dos lixões até 2014

por Luiza de Araujo Furiatti

Uma das metas de grande relevância definida na Política Nacional dos Resíduos Sólidos é a eliminação dos chamados “lixões” até 2014. Muito se tem discutido e algumas pessoas afirmam ser impossível. Mas o governo tem mostrado empenho e tomado medidas para a concretização.
De acordo com a Lei 12.305/2010 (Política Nacional dos Resíduos Sólidos), os planos de resíduos sólidos são instrumentos da política, e serão elaborados em âmbito nacional, estadual, municipal, intermunicipal, microrregionais e também há o plano de gerenciamento de resíduos
Ressalta-se que a versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos já foi apresentada pelo governo e nos últimos meses foi discutida em cinco audiências públicas, divididas nas cinco respectivas regiões do país, cuja consolidação se dará em audiência pública nacional que ocorrerá nos próximos dias 30 de novembro e 1º de dezembro em Brasília. A participação da sociedade e dos técnicos é muito importante, as inscrições são obrigatórias e vão até o dia 23 de novembro, sendo realizadas pelo site http://www.cnrh.gov.br/pnrsnac/.
Em síntese, o plano indica diretrizes para o aproveitamento energético, possibilidades de diminuição de lixões, maior aplicação de reutilização, reciclagem e redução da quantidade de resíduos, medidas para aplicação da gestão de resíduos regionalizada, aplicabilidade de normas para destinação final de rejeitos. São medidas práticas para chegarmos aos objetivos determinados pela Lei.
Agora chegou o momento dos Estados e Municípios elaborarem seus planos, e apresentarem os projetos para concorrerem a liberação de recursos nacionais. A chamada pública, foi aberta no dia 21 de outubro e prevê recursos de R$ 70 milhões para apoio a projetos de gestão adequada para a área aos estados, Distrito Federal, consórcios públicos e municípios.
O objetivo da elaboração dos planos é provocar uma mudança nos padrões de consumo dos brasileiros e conseqüentemente também na maneira como os cidadãos se relacionam com os resíduos.
Outro ponto relevante é alcançar a sustentabilidade. É a harmonização do meio ambiente com crescimento econômico e social.

via Vivo Verde

Cícero Bley Jr aborda potencial inexplorado do biogás no Brasil

Em entrevista cedida para a revista Biomassa & Bioenergia, o Superintendente de Energias Renováveis de Itaipu Binacional, Cícero Bley Jr, comenta os ganhos energéticos, econômicos e ambientais de uma fonte de energia sustentável.

Biomassa & Bioenergia – Muito se fala sobre as inúmeras possibilidades de aplicações do biogás para geração de energia . Na opinião do senhor, quais as potencialidades do uso do biogás no Brasil?
Cícero Bley Jr. – O biogás está contido nos resíduos sólidos e efluentes líquidos encontrados no meio urbano (lixos e esgotos) no meio industrial (resíduos e efluentes) e no meio agropecuário (resíduos e dejetos animais). Portanto trata-se de um produto com características energéticas renováveis, que vem sendo sistematicamente desperdiçado e que, ao ser incorporado na matriz energética de atividades agropecuárias e agroindustriais, coletas e tratamento de lixos urbanos e esgotos, por exemplo, pode significar grande economia de energias que hoje estão sendo fornecidas por este setor. Isto representa milhões de reais em custos evitáveis.

B&B – Em sua opinião, por que é importante para o Brasil investir na geração de energia advinda do biogás?
Bley Jr. – Para criar uma nova economia rural, baseada na eficiência energética e em energias renováveis, que podem significar a sustentabilidade econômica porque gera novas rendas e a sustentabilidade ambiental, porque o biogás só é produzido em sistemas de saneamento (tratamento) dos materiais orgânicos.

B&B – O biogás pode ser usado para a geração de energia elétrica, térmica e veicular.
Pelas características de nosso País, em qual dessas áreas ele pode ser melhor utilizado?
Bley Jr. – Nas três. Porque há biomassa de resíduos para produzir biogás suficiente para sustentá-las e porque as três são importantes. A geração de energia elétrica oficializa as pequenas centrais como geradoras em um sistema descentralizado novo no Brasil, mas que é a chave das renováveis na Europa (geração distribuída). A geração de energia térmica, porque pode substituir o uso da lenha no agronegócio, que vive, há tempos, um “apagão” florestal. Não há lenha para secar nossas safras de grãos. E a geração de energia para veículos, caminhões, tratores e carros, dá uma esperança aos produtores rurais de verem seus veículos movidos a diesel rodando com o biogás gerados por eles mesmos. No meio urbano, imagina-se o biogás sendo produzido em aterros e depois de filtrados, movendo os caminhões de coleta de lixo, que todos os dias passam de porta a porta coletando em uma jornada sem fim, pois há lixo todos os dias para coletar.

B&B – Acredita que o biogás possa vir a substituir outros combustíveis em totalidade no futuro? Qual o percentual de utilização atualmente?
Bley Jr. – Atualmente é zero. O biogás é totalmente desperdiçado. E no futuro com certeza as energias ditas convencionais, manterão suas performances. O biogás as substituirá em partes, mas onde substituir haverá ganhos não só energéticos, mas também econômicos e ambientais. O biogás será sempre um dos combustíveis de uma matriz energética. O problema é que hoje ele está sendo jogado fora.

B&B – O que é preciso ser feito para ampliar a utilização desse tipo de geração de energia no País?
Bley Jr. – É preciso que as pesquisas feitas pelas diversas academias brasileiras soltem as soluções e aplicações tecnicamente sustentáveis com o biogás. É preciso que nossas lideranças consigam enxergar o biogás como um produto combustível de alto valor estratégico. É preciso capacitar nossos técnicos para identificar as biomassas possíveis, saber como convertê-las em biogás, como gerar energia com o biogás e o que fazer com essa energia. Não há possibilidades de mudanças a não ser pelo ensino e capacitação.

B&B – Os equipamentos disponíveis no mercado nacional são eficientes para o aproveitamento do biogás gerado pela criação animal? A tecnologia brasileira consegue atender as necessidades desse mercado?
Bley Jr. – O Brasil já produz o necessário em termos de equipamentos e processos para explorar as possibilidades do biogás.

B&B – Há no Brasil, algum tipo de incentivo (fiscal, tributário, financiamentos) para a adoção do uso de biogás para a geração de energia?
Bley Jr. – Há linhas de financiamento compatíveis para investimentos. Não há necessidade de subsídios, ao contrário. Devemos evitá-los porque distorcem a sustentabilidade econômica de qualquer atividade.

B&B – Qual a média de compra de energia do biogás produzida pelos produtores rurais pelas grandes empresas?
Bley Jr. – A ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica estipula em suas normatizações, que o preço pago a energia elétrica gerada com biogás seja o VR – Valor de Referência, em torno de R$ 145 por megawatt e que é o valor tirado da média aritmética obtida dos valores de todas as energias geradas no Pais. Hidráulica, carvão, gás, etc.

B&B – A Itaipu possui algumas unidades de demonstração de geração distribuída de energia elétrica com biogás. O senhor poderia falar um pouco sobre essa experiência?
Bley Jr. – A Itaipu implantou com recursos de Pesquisa e Desenvolvimento em sete unidades de demonstração em diferentes escalas de produção, para servir de base para estudos e demonstração. A isso demos o nome de Plataforma Itaipu de Energias Renováveis.
Temos unidades coletivas, como no Condomínio Ajuricaba de agricultura familiar até um frigorífico de abate de 300 mil aves por dia, da Cooperativa Lar de Medianeira. Todos gerando energia e vendendo os excedentes para a concessionária. Agora estamos instalando mais duas unidades para demonstrar o uso térmico, substituindo a lenha utilizada em dois dos maiores armazéns de beneficiamento e armazenagem de grãos da região. Também começamos a implantar o projeto em Entre Rios do Oeste para a sustentabilidade do saneamento básico através da energia do biogás.

B&B – Baseado na experiência da Itaipu que perspectivas o senhor vê para esse tipo de negócio (geração de energia através do biogás) no Brasil?
Bley Jr. – Não tardará nem um ano e o biogás estar é sendo reconhecido no Brasil, como um produto combustível de alto valor estratégico, produzido e usado por micro geradores, descentralizados e tão importante como o etanol.

via Biomassa e Bioenergia

Uso de resíduos é aposta para geração de energia na Alemanha

por Eduardo Carvalho

Importantes centros de pesquisas da Alemanha perseguem a meta de desenvolver formas de gerar energia elétrica a partir de mecanismos limpos capazes de substituir a potência energética de complexos atômicos, que serão desligados pelo governo alemão até 2022.
A intenção é aumentar a potência instalada de 56,5 GW dos meios renováveis para 163,3 GW até 2050, segundo estimativa feita pelo Ministério do Meio Ambiente do país.
Ainda sem um valor total de investimentos, há planos de implantar novas turbinas eólicas no mar e na terra, expandir o uso de hidrelétricas, elevar a participação da geração de energia solar e iniciar uso da tecnologia geotérmica (nascentes de água quente, como os gêiseres, ou mesmo utilizando o calor do interior da crosta terrestre).
Além disso, cientistas tentam aperfeiçoar tecnologias para geração de energia por biomassa ou biogás que empregam estrume de animais, restos de alimentos ou materiais desperdiçados na atividade madeireira para aquecer e iluminar moradias.

Alternativa
De acordo com Ursula Eicker, da Universidade de Ciências Aplicadas de Stuttgart, em Baden-Württemberg, o emprego da geração de energia de biomassa é um dos que mais vai crescer entre a população, principalmente pelo seu custo mais baixo.
Enquanto se gasta 10 mil euros para instalar placas de captação de luz solar para aquecimento de água e do ambiente interno da residência, uma miniusina de biomassa movida a pellets (pequenos pedaços de madeira) custaria 7 mil euros.
“Além de ser mais barata, a vantagem é que o consumo de energia elétrica por biomassa pode ocorrer todos os dias, diferentemente da solar, que é prejudicada em dias nublados”, disse a especialista.
Os pellets, extraídos de pinheiros plantados para esta finalidade, já são substituídos em áreas agrícolas por estrume de animais, gramíneas ou gordura de abatedouros, que viram combustíveis sólidos na geração de luz elétrica e calefação.

via Globo Natureza

Mais da metade das cidades brasileiras queimam lixo, aponta IBGE

por Flávia Villela

Os moradores das áreas rurais do país estão queimando mais lixo. Dados definitivos do Censo 2010 divulgados dia 16 de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o percentual de municípios onde essa prática ocorre cresceu de 48,2%, em 2000, para 58,1%, em 2010.

A dificuldade e o alto custo da coleta do lixo rural são os principais motivos para o aumento, segundo a pesquisa. Já a proporção de cidade onde há despejo de lixo em terreno baldio caiu de 20,8% para 9,1% no período.
O índice de acesso a serviço de coleta de lixo aumentou de 79%, em 2000, para 87,4%, em 2010, em todo o país. A cobertura mais abrangente foi verificada na Região Sudeste (95%), seguida da Sul (91,6%) e da Centro-Oeste (89,7%). As regiões Norte (74,3%) e Nordeste (75%), que tinham menores coberturas no ano 2000 (57,7% e 60,6%), apresentaram os maiores crescimentos em dez anos.

Nas áreas urbanas, em 2010, o serviço de coleta de lixo dos domicílios estava acima de 90% em todo o país, variando de 93,6%, no Norte, a 99,3%, no Sul. Nas áreas rurais, o serviço aumentou na comparação com 2000, passando de 13,3% para 26%, em média.

via Agência Brasil

Caixa e Banco Mundial assinam acordo para projetos de resíduos sólidos

via Assessoria de Imprensa da CAIXA

A Caixa Econômica Federal vai contratar operação de crédito com o Banco Mundial, no valor de 50 milhões de dólares, para aplicação em projetos de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) e financiamento de carbono. A contratação já foi aprovada pelo Senado Federal e será assinada nos próximos dias. A CAIXA é a única instituição no Brasil autorizada pelo Banco Mundial a intermediar recursos do Carbon Partnership Facility (CPF), plataforma inovadora de fomento ao mercado mundial de carbono.

O empréstimo possibilitará à CAIXA disponibilizar novo funding para aplicação em RSU, tanto para o setor público quanto para o setor privado. Os recursos serão utilizados para implementar o Programa de Financiamento para a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Esse programa desenvolve ações integradas para a gestão dos resíduos sólidos urbanos envolvendo o tratamento e a disposição final, para reduzir impactos ambientais e sociais, melhorar a saúde pública, além de promover soluções econômica e ambientalmente sustentáveis.

Com o novo funding, além de financiar entidades públicas e privadas no tratamento de resíduos sólidos, a CAIXA desenvolverá ações para implementar e monitorar os investimentos no segmento. No setor público, podem ser contemplados os estados, Distrito Federal, municípios e empresas públicas com receita própria, como algumas companhias estaduais de saneamento. No setor privado, concessionárias ou subconcessionárias privadas de serviço público de saneamento básico ou empresas privadas, organizadas na forma de SPE (Sociedade de Propósito Específico) para o manejo de resíduos sólidos urbanos, desde que legalmente autorizadas a executar ações financiadas pelo Programa. Podem ser financiadas a construção e operação de aterros sanitários, o fechamento de aterros a céu aberto com o tratamento dos impactos ambientais, e o desenvolvimento de instalações alternativas para tratamento de resíduos.

Os créditos de carbono gerados pelos empreendimentos serão comercializados pela CAIXA sob guarda de acordo CAIXA-Banco Mundial/CPF, firmado em dezembro de 2009 na Dinamarca e poderão ser aceitos como garantia acessória ao financiamento.

Rio fará contagem regressiva dos lixões do estado

por Nielmar de Oliveira
via Agência Brasil

Começou a funcionar no dia 24 de outubro, no Rio de Janeiro, o Contador Regressivo de Lixões, uma iniciativa que objetiva viabilizar o registro detalhado dos lixões que estão sendo ou serão desativados no estado, dos aterros sanitários implantados e do cronograma de conclusão do programa Lixão Zero.

O Contador Regressivo dos Lixões do estado do Rio será apresentado pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e pela presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos. Durante a apresentação, o secretário Carlos Minc detalhará o avanço do programa Lixão Zero nos municípios fluminenses e que já levou, somente este ano, à desativação de 16 lixões pelo governo estadual.

“Nos dados a serem apresentados, de forma transparente, constarão os lixões desativados de 2009 a 2010, o lixões já desativados em 2011 e os que serão interrompidos nos próximos anos”, informou a Secretaria do Ambiente, em nota. Ainda segundo a secretaria, o objetivo do detalhamento das ações de desativação dos lixões é fazer com que a sociedade acompanhe de perto o que vem sendo feito com o programa Lixão Zero, que visa a desativar todos os lixões do Rio. “Em cada caso citado, serão detalhadas a data da desativação, as toneladas de lixo retiradas e a destinação correta para aterros sanitários em diversos municípios”.

Empresa vai premiar quem anda a pé ou de bicicleta em Londres

por Vanessa Barbosa

via Exame

Imagine ser recompensado monetariamente por deixar o carro em casa e ir a pé ou de bicicleta para o trabalho? Essa é a tática que Londres pretende adotar para estimular a mobilidade sustentável, reduzir a poluição e os níveis de congestionamento.

Por trás do bônus verde está a empresa Recyclebank, que criou um aplicativo para smartphone capaz de mensurar e pontuar os deslocamentos por meios alternativos de cada pessoa. Esses pontos serão convertidos em prêmios, que poderão ser resgatados na forma de descontos em lojas e cinemas conveniados.

Até o final do ano, um grupo de pessoas vai testar o programa antes do lançamento, previsto para o segundo semestre de 2012. O projeto de incentivo verde foi anunciado nesta segunda e conta com o apoio da prefeitura de Londres.

Sede das próximas Olimpíadas, a cidade conhece bem os efeitos benéficos do transporte alternativo não só para o meio ambiente, mas para a economia. Segundo estudo da London School of Economics, a prática do ciclismo gera R$ 7,9 bilhões para os cofres britânicos anualmente.

Recyclebank

Criado há sete anos, o Recyclebank nasceu como um programa de incentivo à reciclagem, recompensando consumidores que descartam corretamente o lixo. As famílias participantes do programa conseguem receber até 200 dólares por ano.

Atualmente, a iniciativa, presente no Reino Unido e nos Estados Unidos, conta com mais de 3 milhões de participantes e 3 mil estabelecimentos comerciais conveniados.